My own Diary

Is there anything better than having a place to be yourself like your own diary?

Em meio a tantos encantos e frustrações

Olhando fotos, sonhando com momentos, imaginando diálogos e músicas a dançar, e depois olhando ao que se parece real faz com que o tom rosado que tudo tinha se esvaeça, e o cinza toma conta.

Os retratos em uma parede enfeitada, próximo à lareira já aquecida pelo fogo. As chamas produzindo sombras coloridas no rosto. O piano ao lado. Uma melodia sendo tocada e uma voz aveludada seguindo a canção. Os risos. Os carinhos. O caminho unido. Tudo o que pode ser possível.

Apenas uma palavra. Um gesto. Um olhar. Tem o poder de escurecer o ambiente. De tornar aquilo tão distante. Tão inatingível. Faz parecer que nada passa de apenas um sonho. Faz parecer que logo ao acordar, tudo se dissipará em uma névoa fria e triste.

Mas o que fazer? Se o sonho muitas vezes parece ser mais real. Mais agradável. Mais palpável do que qualquer coisa considerada real. Será o sonho uma prévia do que está pela frente? De uma forma de preparar para o que está por vir, de forma que possamos estar prontos. De forma que nos dê coragem de abrir mão daquilo que nos distancia do sonho. Para sabermos que o que está lá no fim é muito maior e muito mais real do que o agora. Pois o agora é apenas uma prévia do sonho. Do que um dia será o real.

Em meio a tantos encantos e frustrações, em meio a tantos planos e ilusões, saber que há alguém que desenha e que planeja, é o consolo. É ter a certeza de que é tudo possível, palpável, atingível. Real.

Reflexo

               Ela me encara novamente. Eu não preciso ler a sua mente para saber o que ela está pensando. Ela me odeia. Eu sei disso. Ela já me disse milhões de vezes. Ela passa seus dedos finos em seus cabelos negros e os amarra em nó no alto da cabeça. Eu copio fielmente seus movimentos. Já os tenho memorizado. É o que ela faz todo dia.

               Eu a encaro também. Vejo seus olhos negros afundados em camadas de água que já estão prontas a serem derramadas a qualquer momento. Seus olhos parecem fontes de água salgada. Os meus também. Não há nada que eu possa fazer para mudar isso.

               Vejo seus lábios se moverem. Ela sussurra algo. Eu não preciso ouvir o que ela diz para ter conhecimento de suas palavras. É o que ela diz todo dia quando me vê. Ela desvia seu olhar do meu, e eu desvio meu olhar do dela. Aquilo parece como liberdade por alguns momentos. Até que seus olhos fixam novamente nos meus. E eu não tenho escolha a não fazer o mesmo.

               Ela se afasta de mim, e eu faço o mesmo. Sinto-me aliviada por ter certa distância dela por alguns segundos. É uma pena que isso não dura muito. Ela me encontra rápido. Ela sempre me encontra.

               Eu a vejo novamente antes dela entrar no carro. Dessa vez, ela me evita. Ela olha através de mim. Já não ligo mais para isso. Pelo menos, não sou obrigada a perder-me naquela confusão de sentimentos que existem em seus olhos. Que existem em meus olhos. 

               Ela se assenta, com sua cabeça baixa. Eu não consigo a observar nesse momento. Mas sei que ela está ali ao meu lado. Sei cada movimento que ela faz. Cada vez que sua caixa torácica expande e se contrai. Cada piscar de seus olhos. Fazemos nossos movimentos em uníssono. É assim que funciona. Ela não tem opção. Eu não tenho opção. 

               Ela passa pelas portas automáticas sem ao menos ter interesse de saber se eu ainda continuo perto dela. Sem ao menos ter a esperança de saber se algo mudou ou não. Se ela me odeia menos. Se ela se odeia menos.

               Passo o dia observando-a apenas de longe. Gosto disso. É a única forma de eu não ser consumida pela dor que a consome. Pela dor que me consome. É a única forma que eu tenho de esquecer-me de quem eu sou. De quem ela é. Ela me olha de soslaio enquanto almoça, mas rapidamente desvia seu olhar de mim. Eu faço o mesmo. Ultimamente, ela tem procurado por mim com menos frequência. Acho isso bom. É o que ela quer que eu pense.             

               Tenho a sensação de que quanto menos ela me vê mais feliz ela é. Ás vezes sinto-me culpada por toda essa angústia que ela carrega dentro de si, que transparece em seu rosto pálido. Em meu rosto pálido. Eu sei que sou a culpada. Sou a culpada.

               Mas não foi sempre assim. 

               Éramos muito próximas no passado. Ela não me odeia desde sempre. Ela costumava conversar comigo. Eu costumava conversar com ela. Ela costumava encarar-me com olhos felizes, com um sorriso puro nos lábios. Eu a retribuía incansavelmente. Éramos inseparáveis.

               Não entendo o que aconteceu.

               Ela cresceu.

               Eu cresci. 

               Suas maçãs do rosto hoje são mais saltadas. Seus lábios são perfeitamente modelados para um sorriso agradável. Seus olhos amendoados guardam a íris castanha, assim como os meus. Sua pele de marfim contrasta com os fios negros que caem sobre seu rosto. Sobre o meu rosto. 

               Porém, seu semblante só aprendeu a demonstrar um sentimento. Aquele que se esconde no íntimo de seu ser. Onde a tristeza e mágoa se encontram e cantam suas canções de cólera. Esse sentimento se engrandece toda vez que ela me olha nos olhos. Quando eu a olho em seus olhos.

               Ela não vê a mim da mesma forma que eu a vejo. Gostaria de falar-lhe o quão bela ela é. O quão bela nós somos. Gostaria de perguntar-lhe o motivo de tanta dor. Gostaria que ela soubesse que não há motivo para tanto lamento. 
Mas ela não acreditaria em mim. Ela nunca acredita em mim. Ela me odeia. Sou suprimida pela sua ânsia em destruir-me. Em destruí-la. É o que eu sei que ela deseja. Não posso impedi-la.

               Ela me encara novamente.

               Eu não preciso ler a sua mente para saber o que ela está pensando. Ela me odeia.

               “Eu te odeio” ela diz.

               E a cada vez que ela fala isso para mim. Sou obrigada a dizer o mesmo a ela. Eu já disse. Não tenho opção.

               Estou acorrentada a ela

               E ela a mim.

               Não! Não! 

               Por favor!

               Uma lágrima escorre em nossos rostos. Quero consolá-la. Mas não posso.

               Estou acorrentada nesse espelho. Sou apenas um reflexo.

               “Eu te odeio” eu respondo de volta, esperançosa de que ela não acredite em mim.

Nostalgia

O copo estava em cima da mesa. Seu vidro transparente refletia o sol que entrava pela janela. Ele estava cheio até a metade e parecia estar lá desde sempre. Uma fina camada de poeira cobria a mesa rústica. As cadeiras estavam cobertas por um lençol branco, juntamente com os demais móveis da casa.

O piano da sala, porém, estava aberto. Suas teclas empoeiradas até a metade davam a impressão de que alguém limpara ao tocar uma melodia melancólica.

            Ao me aproximar, tropecei em uma caixa próxima à poltrona também coberta por lençol. Ajoelhei-me junto a caixa e uma curiosidade de saber o que tinha dentro tomou conta de mim. Espalhei a poeira com um leve sopro e abri a caixa, revelando uma pequena caixa de música. Embaixo, havia um porta-retrato que cabia perfeitamente dentro da caixa.

            Com cuidado, tirei o porta-retrato e virei para ver a figura gravada em sua superfície. Levantei-me para apreciar a bela imagem à luz da claridade que entrava pelas frestas da pesada cortina de camurça.

            A moça da antiga fotografia sorria. Seus cachos caiam levemente sobre seus ombros enquanto seus olhos escuros alegravam-se ao receber um buquê de flores do campo. As mãos que ofereciam as flores pertencia a um rapaz de aparência nobre. Ele sorria igualmente, seus olhos, porém, fixavam-se nos olhos da moça.

            Segurei o quadro em minhas mãos enquanto meus olhos vagavam pela sala há muito tempo desabitada. Fixei o olhar sobre a lareira e notei um espaço marcado sobre ela. Notei que, talvez, era lá que um dia fora pendido o quadro em minhas mãos.

            Em poucos passos, alcancei a lareira e encaixei o quadro onde um dia ele pertencera. Vi um envelope aberto sobre a madeira rústica da lareira. Seu selo rosa, envelhecido com o tempo, permitia que a carta de lá de dentro fosse retirada. Novamente, a curiosidade tomou conta de mim e me vi abrindo a delicada carta.

            Dei três passos para trás e acionei a bela vitrola do canto da sala. Uma melodia desconhecida por mim soou pelo auto falante da vitrola. Comecei a ler a carta.

            Sua datação era de uma época antiga. As mãos que a escrevera desenhara em uma bela caligrafia uma linda canção de amor. Suspirei levemente e elevei meus olhos ao quadro que acabara de pender na parede.

            Olhei à minha volta novamente e notei mais uma vez a grande poltrona coberta pelo lençol. Ao seu lado, havia outra poltrona, agora menor e com formas delicadas. Sorri levemente, sentindo a ternura que pairava sobre ar. Uma memória impregnada no local pelo jovem casal que uma vez habitou essa pequena casa e que envelheceram juntos.

Lembrei-me então do que uma vez ouvi sobre o casal. Que sou privilegiada por ser fruto de tão belo de amor. Olhei novamente para o retrato da lareira e reconheci ali os traços familiares. E então acreditei que não houve amor tão belo quanto o amor compartilhado entre meus avós.

Plot Twist

Well,

This blog is my own diary. So, in a few weeks I’ll be traveling to Hungary so I’m going to post things related to my trip. Also I’m going to write here some texts by me. You might find things in English and also in Portuguese.

See ya :)